Em destaque



Metástases Ósseas no Carcinoma da Mama

Os ossos são um dos principais locais de disseminação de células provenientes de um tumor maligno da mama, sendo uma das três localizações mais frequentes das metástases.
Cerca de 75% dos doentes que vem a falecer por esta doença tem metástases ósseas, podendo  também haver disseminações para o fígado e  pulmão.
Os locais mais frequentes de disseminação óssea são a coluna vertebral em 25% dos casos, os ossos longos, principalmente o fémur, e a calote craniana.
As metástases ósseas podem ser de dois tipos: líticas destruindo o próprio osso ou blásticas formando condensações ósseas nos locais  atingidos.
Todos os tipos de tumor podem invadir o osso ( principalmente os tumores sólidos), e existem também tumores primitivos do osso, o  que   torna  necessário por vezes o uso de métodos invasivos (biópsias) para fazer o diagnóstico diferencial do tumor primitivo.

Apresentação  Clinica

A dor é o sintoma mais comum nas metástases ósseas.
Outros sinais e sintomas frequentes são as fraturas ósseas espontâneas, compressões nervosas sobretudo nas lesões da  coluna vertebral com diminuição da força muscular e parestesias, e  o aumento de cálcio no sangue  (hipercalcémia), que pode ser a causa de alterações cardiovasculares, gastrointestinais, renais e neurológicas.

Diagnóstico

O diagnóstico é estabelecido na presença de sintomas e alterações laboratoriais (Aumento da Fosfatase Alcalina, Calcémia e Marcadores Tumorais (CEA E CA15-3)),  complementado sempre com estudos  Imagiológicos.
Os exames imagiológicos incluem o RX  e  Cintigrafia Óssea que servem para localizar todos os segmentos suspeitos, e o TAC/ Ressonância Magnética, e o PET-Scan  para confirmar o diagnóstico e o risco de fratura.
As metástases ósseas podem ser a apresentação de uma recidiva do tumor tratado muitos anos antes ,  pelo que caso se confirme o diagnóstico obriga a um estudo metastático completo para tentar excluir outra localização.

Tratamento

Quando uma paciente apresenta metástases ósseas  além do tratamento sistémico antitumoral (hormonoterapia, quimioterapia e tratamentos anti HerB 2) deve ser equacionado o tratamento profilático com Cirurgia e Radioterapia.
A RT local tem um efeito antiálgico sobretudo  quando  associado a tratamentos médicos com analgésicos e anti-inflamatórios não esteróides.
A cirurgia tem um papel importante na profilaxia das fraturas patológicas com estabilizações das lesões, sobretudo após tratamentos com RT,  e  também no controlo das dores.
Os tratamentos com bifosfonatos também mostram uma redução do risco de fraturas patológicas comparadas com o placebo.

Conclusões e Recomendações

O tratamento de doentes com metástases ósseas de carcinoma da Mama é um problema complexo, devendo ter uma  aproximação multidisciplinar com Especialistas de Ortopedia, Radioterapia, Oncologistas Médicos e Radiologistas de modo a obter os melhores resultados para estes pacientes.

Equipa Multidisciplinar

Rui Serra Alves,Diretor Clinico APAMCM

Última alteração em terça, 10 novembro 2015 17:42